A DESPEDIDA
Não é impunemente que nos vimos, embora muitas vezes esporadicamente, o poder de uma comunidade fechada, peculiarmente aberta ao mundo de forma que em cada momento só nos vissem por uma janela estreita e devidamente seleccionada. Isto é, sempre estivemos abertos ao mundo, abraçamos um projecto a divulgação, mas por outras janelas somos agora vistos quase só por uma janela que ninguém abriu.
Marcou mesmo a nossa identidade e até quebrou uma certa resistência à uniformidade. O bem geral é sempre um refúgio que serve aos políticos para se justificarem. Não há no entanto progresso sem ideias pessoais, a não ser que queiramos que elas se desenvolvam apenas lá fora e aqui todos tenhamos que aceitar o unanimismo.
A nossa relação com o poder local nem sempre é fácil.
Não há nada de acintoso nas críticas políticas que se lhe possam fazer. Se há algo de pessoal tem a ver com o gosto de cada um, por mais aceites que sejam as políticas da terra, não podem exigir que todos gostem do que eles gostam. Assim na nossa relação com o poder local enquanto poder, não tivemos nunca momentos de euforia e de asfixia, na aproximação e evidente o distanciamento.
Cada um sabe dos seus sentimentos pessoais mas eu sou amigo do mundo rural. Esquecendo a desgraçada vida dos antigos lavradores, agradava-me o antigo equilíbrio aqui existente.
Não chega fazer da defesa dos despojos uma teoria, o ruralismo. Até porque a nossa identidade já não é rural, embora tenha algo de rústico. Já só estamos plantados no ambiente rural.A capa de defensor do mundo rural não pode corresponder ao conteúdo dos dias de hoje.
Permita-se-me um conselho: Será que a gestão autárquica lhes fecha os horizontes, não estão preparados para verem além do seu quintal, da sua paróquia. Andará por aqui provincianismo, parolice, que pecado é este? Tem a ambição de exercer um cargo com uma influência mais vasta, será que seguiria estes exemplos se a oportunidade lhe surgir? Esperemos que não. Um abraço amigo! Até sempre!
Desejo uma continuidade aos restantes colaboradores, tive que abraçar um outro projecto, aos que ficam não desanimem, voltarei quem sabe...




























