FREGUESIA DE MÓS - ANTIGA VILA MEDIEVAL - [NO INTERIOR TRANSMONTANO - VISITE]

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Mós -  Antiga Vila Medieval

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Inicia-se um Novo Ano, que é uma convenção, tal como andar, girar ao volante, pela direita, em estrada ou arruamento público (nacional, municipal e até, talvez, no caminho vicinal) ou privado (acessos, entrada e saída de parques de estacionamento das grandes superfícies, por exemplo), sendo certo, porém, que o volante é à esquerda, no habitáculo do veículo, a não ser em casos hoje muito raros, designadamente de carros que vieram de Moçambique, nos anos 70 do século XX, ou de algum país de influência cultural inglesa. À esquerda, à direita se situa também se não o exercício da cidadania pelo menos o que disso reste, já que o centro é frequentemente uma zona ou instável, ou pelo contrário, demasiado estabilizada para que chame atenções fortes, ventos que levem para lugares devidos – que sempre os há - o que se depositou e já quase nada acrescenta. Sucede porém que esquerda e direita se travestem e, vistas bem as coisas, por vezes a gente desanima por não saber onde está nem com quem anda.

Este é o nosso tempo, dos que vão atrasados, dos que vão adiantados. Dos que saíram e, com mais ou menos frequência, voltam se não às suas origens verdadeiras, pelo menos às dos seus mais directos, reforçando de certo modo, o originário confluir de tempos e lugares, sim, que quem sai por tempos largos para espaços tidos também como grandes – as cidades – deixa de ser o mesmo, já que, caldeado por outras urbanidades e urbaneidades, recai sobre si o mito do migrante, o qual arranca sempre uma parte de nós para, no seu lugar, outra se instalar, numa espécie de enxertia destinada a dar melhores frutos mas que nem sempre os fornece abertamente em poiso certo.
Estamos longe, estamos perto. Não sabemos muita coisa, em termos modernos, matemáticos, que o conhecimento acumulado pela humanidade, só nos últimos trinta anos, com a mão de Deus e os tentáculos do Diabo sempre presentes até perante os menos crentes, já que somos as mais das vezes conduzidos, o conhecimento é tanto que não o podemos abarcar e, por isso, estamos condenados a ser sempre ignorantes acerca de alguma coisa, o que não nos deve preocupar mas antes tranquilizar e enriquecer de sentimento humano.
Qual a área da nossa aldeia, ou melhor, da freguesia, em hectares, por exemplo? É uma coisa acessível ao estudante local. Quantos prédios rústicos comporta? Mil? Dez mil?
E qual – agora sim, também – a área urbana, da aldeia propriamente dita, em termos de plano director municipal, incluindo os braços que se vão estendendo para os lados da escola nova e da pouca dura que teve, bem como para os Lagarinhos, os Palheirinhos, a Portela?
Quantos fogos há, quantos habitantes, ano a ano, desde 1960 até 2010, que a demografia sempre foi coisa dinâmica, mesmo parados contamos ou somos contados (que cantoria é só para alguns especificamente dotados, com bom ouvido mas sem ser para escutas inconvenientes ou indiscretas)?
Se pudermos traduzir as coisas por palavras justas, assentes em dados fiáveis mais que em propaganda, tendemos aposicionar a coluna vertebral mais direita e acabaremos por nosentendemos, a médio prazo, por certo, melhor uns aos outros, já que passamos a assentar as nossas ideias em plataformas mais consistentes do que aquelas que , há uns anos a esta parte, vão caracterizando o pensamento dominante que, sem o querermos ou cuidarmos de saber mais afundo, nos vai desgastando, desanimando exactamente a partir do auge da festa e da comemoração. Não há encanto sem desencanto, e o contrário também é verdadeiro. Tudo flui.
O que é perto, o que é longe? Se andarmos 10 Kms por estradão de terra nem sempre muito batida, no termo de Mós, se tivermos lá um prédio de10 hectares, por exemplo, alguém nos vai referir, particular, oficial ou oficiosamente que isso não vale nada, quase nada. Até o próprio Estado está a alinhar por esta bitola, o que, diga-se, tem a vantagem de aliviar os impostos que, são, hoje, sobre os prédios rústicos, irrisórios, dando bem a medida, só por si, do estado de abandono a que as coisas vão chegando, ratificado, assim, de alguma maneira, pelo poder político. E no entanto, gerações e gerações de antepassados se encontraram e se perderam por aquelas paragens e espaços largos e fundos hoje tão abandonados, deixados para lá ao javali que, se não me engano, também já foi chão que dão uvas, ao ponto a que as coisas vão sendo levadas, arrastadas na base de outros poderosos predadores além do bicho em si mesmo e cuja face é oculta. Veremos, a seu tempo, que o tempo tudo indica, basta ter calma e esperar que o vector principal se erga parecendo que ninguém o escolheu ou beliscou.
O que é perto, o que é longe? Hoje em dia o Pocinho devia ser perto, que diabo, são 30 Kms, num instante se chega lá, aquilo funciona, há uns anos a esta parte, para barcos de recreio, com local apropriado para os ancorar, mas, que se saiba, ninguém da nossa terra se virou para ali, já quase nem se vai ao Pocinho, até porque o transporte ferroviário levou uma machadada dada por um Governo de Portugal, já nos anos 80 do século XX, nestas paragens, para nunca mais ser o mesmo, quanto mais poder vir a melhorar, voltar. Resta, então, o rio, os rios: Douro e Sabor. As nossas ribeiras pendem para o Douro mas nós temos estado muito de costas voltadas para a água. Aliás, nem água de jeito temos tido.
Portugal país de navegantes? Sim, pois, por vezes nem tanto.
Esta fotografia, que se espera inserir por aqui, foi tirada pelo autor deste texto em Dezembro de 2009, no Pocinho, e nela se vê um veículo sobre a água daquele que parece ser o primeiro moseiro que pretende valorizar este aspecto, a que se vem aludindo, de modo relativamente dedicado, como se impõe. Sem dedicação e espírito de abertuta, exorcismando as pequenas questiúnculas que eventualmente atrapalhem, não há a mínima hipótese de olharmos para a nossa região enquanto possibilidade de progresso integrado adaptado às circunstâncias do nosso tempo e do tempo que nos é dado viver. Não basta dedicação. É preciso também rasgo, ver mais longe, sem megalomania, que então seria ainda pior, pelos estragos que daí adviessem. Não basta dedicação, a experiência o ensina.
Desejo um Bom Ano de 2010 para todos e remeto, por esta via, os agradecimentos a quem me acabe de convidar a participar neste blogue, que talvez não conheça pessoalmente, não sei verdadeiramente quem é, calculo e, no caso presente, isso me basta, por ora, porquanto já vinha dando uma espreitadela nesta parte ínfima porém para alguns de nós importante da internet.

2 comentários:

pandacruel 03/01/2010, 00:37:00  

Há aqui umas gralhas que sempre caem, pesam e adulteram. Como isto aqui assim não é nariz de santo nem estamos a candidatar-nos a exame ou emprego, deixo ao leitor o trabalho de as ir detectando. Vão continuar, a gente com as teclas não se comporta da mesma forma, com a caneta de tinta permanente e êmbolo é diferente. Deixem passar a imperfeição, s. f. f., que nunca conseguirei dar cabo dela, em definitivo.

Anónimo,  03/01/2010, 22:10:00  

Tudo jaz parte, tudo jaz fica, ora navega, ora descobre, poeta não sou, nasci nesta terra longínqua, onde cresci, onde me fiz homem, parti para a tropa não mais voltei, mas descobri que alguém e através do mundo mágico me faz lembrar a minha saudade volta, estas palavras deixadas neste texto, devigam e transmitem saudade.

Ó minha terra longínqua não deixes que te esqueçam.

Não conhecço nenhum dos autores deste espaço, mas enfim o orgulho que possivelmente tenham nascido na terra onde nasci.

Martins

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