MÓS - HISTÓRIA
Na descoberta do Pelourinho teremos que agradece ao nosso colaborador e amigo JOSÉ SAMBADE que descobriu num muro algo que poderia ser atribuído a um Pelourinho.
No Concelho de Torre de Moncorvo, foi o único recuperável, ao consultar livros deste evento o Pelourinho, de que fala o Abade de Baçal nas suas "Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança" do seguinte modo "... Mós - O Pelourinho desta Antiga Vila, sede de Concelho, hoje estupidamente apeado, mas as suas pedras estavam em 1899 na casa dos herdeiros do Doutor Gabriel, não haverá alma generosa que se compadeça do venerando momumento, lídimo brazão nobilitante da terra, reerguendo-o no primitivo local, em frente da antiga casa da Câmara de Mós..." Hoje convertida em sede da Junta de Freguesia e antiga Escola Primária "...também nos fala de actos de vandalismo que terão destruído o referido Pelourinho...".
No local referido pelo Abade Baçal, data da história de que em 1830 ainda se encontrava de pé, data esta da morte da Rainha CARLOTA JOAQUINA DE BORBON, por cujo luto gastou o Concelho de Mós mil e duzentos réis com que pagou por baeta preta para cobrir o Pelourinho desta Vila de Armas, da Casa da Câmara na ocasião de luto pela morte da Sereníssima senhora Rainha. Toda a sua destruição e segundo os historiadores terá sido acto dos ventos do Liberalismo e com a extinção das Vilas abrangidas pela reforma Administrativa de 1836, pelo Dec-Lei do mesmo ano publicado em 2 de Novembro.

Esta localidade, ergue-se pela Ribeira de Mós e a de Santa Marinha, no meio de várias elevações montanhosas como os Montes Forca da Velha, da Lagariça, dos Lagarinhos e da Forca Nova, rodeada de montes, estendem-se as casas do Castelo pela encosta até à fonte românica, onde o ribeiro passa, para subir pela outra encosta oposta.
Freguesia, em tempos antigos foi sede de concelho medieval, com autonomia judicial e pelourinho, sendo por isso considerada como uma povoação bastante antiga.
O Rei D.º Afonso Henriques em 1162 deu-lhe foral e, posteriormente em 1512 recebe novo foral pelo Rei D.º Manuel.
Na época da formação da nacionalidade esta Freguesia teve muita importância devida à sua posição de sentinela sobre as terras da raia espanhola, o que levou a que fosse construído um Castelo, no local existem vestígios dessa mesma construção.
Possui uma grandiosa Igreja Matriz, construída no século XVI, com um interior riquíssimo, altares de talha dourada, pinturas no tecto do altar mor e arcos e púlpito em granito. A fonte de Mós, de provável origem castreja, é uma fonte de mergulho, localizada num espaço rectangular lajeado com cerca de sete metros de comprido por quatro de largo. Acesso à antecâmara é feito por três degraus. Dos dois lados existem bancos corridos de pedra numa extensão de dois metros. A um nível ainda mais inferior existe a fonte, que se abriga sobre um telhado de duas águas de grandes lajes em granito. A profundidade do tanque ronda os 90 cm.
A poucos quilómetros da Freguesia existe uma calçada faria parte da rede viária de Vila Velha de Santa Cruz ou Derruída, o troço que subsiste é um caminho serpenteante com cerca de 700 metros de comprimento, aberto nos sopés de um monte, fazendo uso do próprio relevo. Para evitar a deslocação de terrenos foram colocados na vertical blocos de xisto que hoje estão bastante destruídos.

Antecedentes, acredita-se que a primitiva ocupação humana desta localidade remonte a um castro da idade do ferro.
Embora não existam maiores informações acerca do seu povoamento inicial, nem da construção do castelo, D.Afonso Henriques (1112 - 1185) concedeu a Carta de Foral a Mós em 1162. O seu filho e sucessor do reino, D.Sancho I (1185 - 1211), de passagem por Trancoso a caminho de Braga, no lugar de Chacim, próximo de MÓS, fez a doação do reguengo de Cilhade aos seus Povoadores, declarando fazê-lo por Deus e pelo bom serviço que havia recebido e esperava continuar a receber do Castelo de Mós. Sob o reinado de Afonso III (11248 - 1279), as inquirições de 1258, relatam que o concelho guardava a terça das dízimas da Igreja de Santa Maria de Mós, destinada à reparação e manutenção do Castelo da Vila. Essa fonte de recursos ainda era utilizada no século seguinte, " O REI D.AFONSO IV 8 1325 - 1357) ATRAVÉS DE UMA CARTA DECLARA QUE O SOBERANO CONCEDIA A TERÇA DA (...) IGREJA DE MÓS A PEDRO DIAS " seu procurador na terras de Bragança, se i muro do dito lugar de Mós fosse acabado, e que de futuro quando comprir " DE SE ADUBAR ESSE MURO EM ALGUMA COUSA, QUE EL O ADUBE PELA RENDA DA DITA E IGREJA (1335)".
No final da Idade Média acentua-se o processo de despovoamento da Vila, em favor de uma povoação vizinha, no termo de Carviçais.No reinado de D.Fernando (1367 - 1385)o soberano concedeu a Torre de Moncorvo, por termo, e os lugares de Mós e de Vilarinho da Castanheira, " UMA VEZ QUE NON SOM TAES QUE SE DEFENDAM NEM POSSAM DEFENDER PO SSY (1372)".Na tentativa de deter o processo, ainda antes de 1450 foi estabelecido um couto de homiziados em Mós, tendo o Concelho solicitado à Coroa novos previlégios a ele relacionados, uma vez que a Vila estava muito desfalecida de e gentes que nela viviam devido às guerras.O Numeramento de 1527 a 1532 refere a Vila encontrava-se cercada, embora essa cerca estivesse danificado alguns trechos, contava nessa altura, apenas com quarenta e três habitantes contra cinquenta e quatro na vizinha localidade de Carviçais, no mesmo termo.Em fins do século XVII, o Padre Carvalho da Costa registrou idêntica situação, "informando que nesta Vila se vè quasi hum aruinado castello com sua cisterna dentro delle, que mostra ser a villa antigamente povoação de mais conta ". Nesta fase, haviam no castelo apenas 90 fogos, enquanto que na vizinha Carviçais, único lugar do termo, contavam-se 250.
No século XIX, o Concelho de Mós foi extinto, integrado no de Torre de Moncorvo.
Os remanescentes do Castelo encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 20 de Outubro de 1955. Na década de 1960 parte da muralha medieval ruiu, registrando-se uma construção particular sobre um troço muralhado. Na ocasião, fez-se sentir a intervenção do poder público pela acção da DGEMN, através da reconstrução de um troço da muralha e de obras na zona envolvente (1963). Actualmente restam apenas vestígios de alguns troços de muralha com casas de habitação adossadas. Fora dos muros destacam-se a Igreja de Santa Maria e na praça o pelourinho reconstruído.
O pequeno castelo apresentava planta com o formato ovalado, em estilo românico.
A muralha, era pedra de xisto miúda, era rasgada a Sul pela porta, comunicando com o arrabalde da vila medieval e os caminhos em direcção a Freixo de Espada à Cinta, Alva, Torre de Moncorvo e Miranda. Intra-muros, a vila estruturava-se em torno da Rua Direita, que definia um eixo Norte-Sul.
Extra-muros foram erguidos a Igreja de Santa Maria e, no lado oposto, fronteiro à porta do Castelo, o largo com a Casa da Câmara e o pelourinho.
O tipo de organização do povoado de Mós revelava padrão semelhante aos povoados de Freixo de Espada à Cinta, Urros e Alva.
Relativamente aos Castelos de Freixo de Espada à Cinta, Urros e Alva, com os quais possui afinidades, o de Mós era o único a possuir a Igreja de Santa Maria implantada no lado oposto ao largo desenvolvido fronteiro à porta principal da cerca.








